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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

DESCUBRA SE VOCÊ É UM BRASILEIRO COM TENDÊNCIA NEONAZISTA OU FASCISTA


            


A regra das analogias nazistas do advogado norte-americano Mike Godwin diz que à medida que a discussão cresce, a chance de um dos interlocutores chamar o outro de nazista é grande. Se você for chamado de nazista ou fascista em uma discussão é bom saber se seu interlocutor está certo ou errado.
Você pode pensar que não existem neonazistas brasileiros porque uma das principais características do nazismo seria justamente a questão da raça ariana. É por isso que se usa o termo neonazista. Ou seja, estamos falando dos princípios, das linhas de pensamento e ações humanas que afloraram na Alemanha do início do século passado.

Um dos amigos mais próximos de Hitler, Emil Maurice, que foi seu motorista, era um dos nazistas mais violentos. E por incrível que pareça, Maurice era descendente de judeus. Outra situação bastante estranha era a de Ernst Röhm, um dos chefes da S.A, a polícia violenta do nazismo. Röhm era homossexual e foi assessor de Hitler para questões militares.(p. 77). Então você pode ser brasileiro, negro, latino e ter o comichão neonazista ou fascista a espera de um grande líder, de um mito.

Não dá para entender o neonazismo limitado, por exemplo, ao ódio aos judeus, comunistas e homossexuais, sendo que sua essência é ódio em si. Você pode ser um homossexual e odiar politicamente, você pode ser um judeu e odiar. Veja o que acontece com os palestinos; vivem numa espécie de campo de concentração promovido por judeus. Ironia do ódio.

A essência do nazismo está na própria condição de interpretação da realidade. Todos nós podemos agir como nazistas. O nazismo e o fascismo são uma espécie de estado de espírito político do ser humano. O nazismo é um fascismo que chegou às últimas consequências.

Mas o neonazismo tem suas características fundadas na história do próprio nazismo. Para fazer essas analogias, vamos usar citações de uma obra da pesquisadora brasileira Sílvia Bitencourt, que mora na Alemanha e fez um livro sobre o jornal que combateu os nazistas desde o nascimento do partido em Munique, ao sul da Alemanha. Num trabalho minucioso, Silvia conta em detalhes o nascimento do movimento nazista na Baviera.

Um dos primeiros pontos é que o ódio define o pensamento político e a compreensão da realidade. Se você acha a esquerda, comunistas, índios, gays, negros, putas, integrantes do MST, PT, tudo um lixo, você está em sintonia com os nazistas, historicamente.

Veja que muitos integrantes do futuro partido nazista vieram da Sociedade Thule, uma sociedade secreta e antissemita criada em 1918. Criada para combater a revolução, os comunistas e o governo socialista, dela saíram vários membros do futuro partido de Adolf Hitler. “Seus associados eram, sobretudo, acadêmicos, aristocratas e empresários, que se reuniam no luxuoso hotel Quatro Estações, no Centro de Munique” (p. 54).

Então, se você tem simpatia pelo discurso raivoso de direita, também tem linha próxima dos nazistas. Antes mesmo de fundar o partido, Hitler “ingressara no DAP (Partido dos Trabalhadores da Alemanha), um agrupamento de extrema direita ainda sem recursos”(p. 70). Quando teve mais recursos, o partido nazista comprou o jornal de extrema-direita Völkischer Beobachter, ligado à Sociedade de Thule.

Os nomes dos partidos na Alemanha daquela época podem te confundir, mas não significam nada. O partido de Hitler era tão socialistas quanto o PSDB no Brasil de hoje é “social-democrata”. É a prática política que define o partido e não o nome. Se um partido, por exemplo, abriga um deputado que diz que “quilombolas, índios, gays, lésbicas são tudo gente que não presta”, o partido abriga um pensamento que está em sintonia com o nazismo. Não adianta ter no nome a palavra “democrático”.

Outro componente no nazismo é o discurso conservador machista. Os nazistas buscavam a “decência alemã”, a família alemã, assim como acontece hoje no Brasil nos discursos em “defesa” da família. O machismo de Hitler se estabelecia na própria relação com a sobrinha, Geli Raubal. “Os historiadores concordam que Geli se suicidou, tentando provavelmente se livrar do controle e do ciúme do tio”. (p. 241)

Então, até o momento já temos um perfil: ser de direita, ter ódio e defender a decência da ordem machista da família. Mas continuemos…

Além do ódio como componente de entendimento da realidade e da política, uma outra característica no nazismo é aceitar a violência como estratégia e condição necessária da realidade. Ódio é a parte intelectual e a violência é a prática da solução dos problemas para os nazistas. Se você odeia, você precisa eliminar seu adversário ou inimigo.


Em 1920, Hitler fez o seguinte discurso: “Chegará o dia no qual nossos objetivos serão realizados, e para isso precisamos de ação e violência; mesmo com uma polícia que não quer saber de ação e violência, o fato é que precisamos de violência para impor nossa luta”. (p. 81). Hitler é um pouco sofisticado para quem grita hoje no Brasil que “bandido bom é bandido morto” e que “Direitos Humanos servem para defender bandido”. Esse discurso bem brasileiro é mais nazista que o próprio nazismo; tem todos os componentes do ódio e da violência com a clareza racional de um capitão do mato.

Outra característica das tendências nazistas é a defesa da eliminação (morte) ou o encarceramento, a ampliação das prisões, um estado policial que prende infinitamente, que todo o controle do Estado é dado ao sistema de aprisionamento. Os campos de concentração dos nazistas foram uma consequência do excesso de presidiários, de prisões abarrotadas e superlotadas como as brasileiras atualmente. “Em uma Alemanha dominada por nós, não haverá guerra civil. Em uma Alemanha com a nossa bandeira, a disciplina e a ordem voltarão a ser a lei máxima” (p.258).

Se você odeia e vê a violência como solução, você provavelmente não teria pudores em caluniar e publicar notícias falsas. Talvez por isso a internet esteja cheia de notícias falsas, temos mais nazistas do que imaginamos. Há inúmeros domínios que publicam matérias totalmente distorcidas ou mesmo mentirosas em sua maioria de perfil ideológico de direita. O jornal comprado pelos nazistas, o Völkischer Beobachter, publicou uma série de artigos caluniosos contra o editor do jornal social-democrata Münchener Post, Erhard Auer. O caso foi parar na Justiça e os nazistas foram condenados (p. 95).

O jornal nazista Völkischer Beobachter disparava e alarmava a população com um discurso em que falava de “Terror vermelho”, dos “socialistas traidores”, do “perigo vermelho”, da “mentira internacional” e dos “caciques do marxismo judaico”. Algo como “Vai pra Cuba!”, “Fidel Assassino”, “foro de São Paulo” etc. “Na madrugada de 10 de agosto, um assassinato em particular abalou o país. Nove homens uniformizados da SA invadiram a casa do agricultor desempregado Konrad Pietzuch, militante comunista na cidade de Potempa (hoje Polônia), pisoteando-o e espancando-o até a morte, na frente de sua mãe” (p. 260). Hitler não hesitou em defender os assassinos, assim como no Brasil alguns defendem execução de bandidos e inocentes por policiais ou chacinas em presídio e na periferia das grandes cidades.

Outra característica dos nazistas é o desprezo pela democracia, mesmo uma democracia como a brasileira totalmente controlada pela compra de políticos com o dinheiro de empresas nas eleições, legal ou ilegalmente. Os nazistas tentaram dar um golpe em 8 de novembro de 1923, que fracassou. A história ficou conhecida como o golpe da cervejaria (p. 128).

Como diz Silvia, Hitler abominava a democracia. Assim também pensam alguns brasileiros que sem constrangimento saíram às ruas em 2016 pedindo “intervenção militar”. Para Hitler e para alguns brasileiros, só um governo ditatorial coloca ordem na casa. Ou seja, desprezar e destruir a democracia não passa de um pensamento alinhado ao nazismo. “O tema preferido do líder nazista em seus pronunciamentos passou a ser o colapso da Alemanha. No lugar dos judeus, seus ataques se voltaram contra o sistema parlamentarista e a democracia” (p. 226). Até o termo “Terceiro Reich”, que significa ‘terceiro império’, dá o sentido de negação da democracia.

Os “Documentos de Boxheim”, redigidos por líderes do partido nazista, “postulavam a revogação da Constituição democrática de Weimar e a instauração de uma ditadura militar pela SA” (p. 245). No Brasil de hoje, não existe coisa mais neonazista do que pedir uma ditadura militar.

Uma outra característica dos nazistas é o ‘culto ao líder”, ou na Alemanha, ‘culto ao Führer. O modelo nazista é o mesmo dos fascistas italianos com o duce Benito Mussolini. O culto começou a acontecer nos grandes acontecimentos do partido. “Os eventos comeram a girar exclusivamente em torno de Hitler, que deles sempre saía ovacionado” (p. 114). Para os seguidores, os nazistas produziam Hitler como um mito. Para o jornal Münchener Post, “os nazistas estariam fabricando um messias, a partir de um mero demagogo de rua” (p.114)

Família, decência, ordem, líder, mito, violência, intervenção militar etc são discursos comuns no Brasil do século 21. E você pode até se identificar com toda essa ladainha que parece ser a panaceia de todos os problemas. Mas o recado que a história nos deixa é mais cruel.

Quando você defende o Estado como promotor da violência, em algum momento ela vai voltar as caras para você. Após exterminar os adversários, os nazistas começaram a ver seus adversários dentro do próprio do ninho nazista. Entre 30 de junho e 1 de julho de 1934, no episódio conhecido como Pacto da Alemanha, um agrupamento nazistas promoveu uma onda de assassinatos dos próprios nazistas. Entre as vítimas, estava o ex-chefe da SA, Ernest Röhm e vários integrantes do partido. Mas o caso de Herbert Hentsch talvez tenha sido mais ilustrativo:


“Já passa das dez e meia da noite quando o jovem Herbert Hentsch, membro da SA de Dresden, na Saxônia, recebeu um telefonema. Três camaradas da organização chamaram-no para um encontro. O rapaz de 26 anos vestiu seu uniforme pardo (da SA nazista) e despediu-se de sua mãe, a viúva Klara Bochmann, prometendo não demorar. Ele não voltaria mais para casa. Seu corpo foi encontrado várias semanas depois daquela noite de 4 de novembro de 1932. Herntsch havia sido espancado e assassinado com um tiro no peito. Amarrado pelas pernas e enfiado num saco plástico cheio de pedras, seu corpo foi jogado numa represa” (p.265)

NEGO! (OU VEMNIMIN, 2017!)

By Luis Fernando / in Carta de Crônicas




Por Luís Fernando Praga

É com enorme alegria mais ou menos que inicio este texto, fazendo uma pequena retrospectiva de um 2016 catastrófico, tenebroso e surpreendentemente muito louco.

A coisa já começou com aquele ar de “vai dar merda”, pra mim, que sou da casta dos petralhas malditos, mas com aquele horizonte límpido e a esperança de um país sem Dilma, sem Lula, sem PT e sem corrupção para o povo de deus e as pessoas de bem que trajavam verde e amarelo.

Eu tentei, juro que tentei ser empático e fui. Entendi em todos os momentos que não é fácil se desvencilhar das garras de uma mídia hipnóloga e tendenciosa, que divulga inverdades e meias verdades a fim de defender exclusivamente a seus interesses: não por coincidência, os mesmos interesses das grandes fortunas e da aristocracia que domina o País há 5 séculos.

Essa mídia criou vilões, heróis e um campo de batalha e eu fiquei do lado dos vilões.

Os heróis eram legais porque, além de contarem com os juízes, faziam as coisas em nome de deus e odiavam os vilões. Estar do lado dos heróis dava ao cidadão comum o direito de colocar no peito uma estrela de xerife e julgar, xingar, esculhambar e reduzir à categoria de inimigo da Pátria, vendido e defensor de bandido todo aquele que questionasse a legitimidade das ações dos heróis.

Não era preciso defender os vilões pra ser considerado um vilão, bastava não aderir à bateção de panelas, aos gritos de “fora, vagabunda!” e “somos todos Cunha, Temer, Moro, Bolsomito!” (eu rio). Bastava um simples alerta do tipo “Cara, mas você tá vendo quem está apoiando este impeachment? Você conhece o histórico destas pessoas?” ou “Meu, pra que isso!? A maioria votou nela, em 2 anos tem outra eleição, você está colocando em risco a manutenção da democracia!” para ser considerado um inimigo da moral, da família, da ética e do País.

Sendo morador do próspero e há 18 anos governado pelo mesmo partido estado de São Paulo, senti-me muito desconfortável ao me ver cercado de pessoas que me consideravam danoso ao progresso do país. Muitas vezes fiquei deprimido por ser uma voz gritando pela união em torno da democracia, sem pena da garganta, e sendo sistematicamente ignorado ou mal interpretado.

Pra encurtar, chegamos onde chegamos e, claro, isso não me agradou, mas o desenrolar dos fatos, apesar do mau cheiro e do retrocesso já alcançado, estimado entre 30 e 150 anos, traz aquele conforto pessoal de pensar “O que é que eu ia dizer lá em casa se tivesse ficado do outro lado?”.

No geral a situação é temerária, com o perdão do trocadilho, mas então por que a “enorme alegria” com a qual iniciava o texto?

É que estou de férias e férias com tristeza não dá pra mim. Escrevo diretamente de João Pessoa, Paraíba e dou-me o direito de enxergar o lado bom da vida.

Todo mundo deveria experimentar viajar, conhecer lugares novos, gente e culturas diferentes, mas cada vez menos gente vai poder viajar nos próximos anos, ops, lá fui eu de novo pelo enfoque negativo; voltando… Estou feliz porque João Pessoa é uma capital limpa, com gente educada que para na faixa de pedestre e porque aqui, pela primeira vez, ouço, em público, comentários indignados com o comportamento da nossa imprensa. Vejo gente às mesas dos restaurantes pedindo pra mudar o canal e não me sinto mais tão deslocado como em São Paulo. Pra eles, aqui, também foi golpe, porque foi golpe.

Estou feliz porque encontrei, abracei e tirei foto com o Chico Cesar, um ídolo já faz tempo, engajado, que, já faz tempo, posicionou-se contrário ao golpe.

Também estou feliz porque aqui conheci e tornei-me usuário do Uber, aquele aplicativo que vem revolucionando os conceitos de mobilidade urbana no mundo todo. Você dá 3 toques no celular e em minutos chega um motorista simpático com um carro confortável e o transporta pra onde você quer pela metade do preço de um táxi ou menos.

Estou muito feliz por libertar-me de uma de minhas ignorâncias, adquirindo o conhecimento de que o Uber se trata de uma empresa multinacional nascida em solo estadunidense e não em Uberlândia, como me parecia óbvio.

Estou mais feliz ainda e renovado de esperanças em 2017 porque conheci o Adonias. Jovem, bem-apessoado, motorista do Uber, paulistano de nascimento, que veio pra Paraíba a poucos meses. Adonias é técnico em automação industrial e trabalha também na fábrica da Jeep em Goiana, Pernambuco, há poucos quilômetros de João Pessoa.

O Adonias é um homem raro e… espere, sei o que o leitor maldoso está pensando, mas não, eu não estou apaixonado pelo Adonias, ele é noivo!

O Adonias é um homem raro por se tratar do primeiro ser humano que conheci que, no meio daquela conversa informal entre motorista e passageiro, embrenhou-se no assunto da política de forma inesperada.

Ele disse que foi às ruas em 2016, saiu na Paulista, até se pintou de verde e amarelo, xingou e bateu panelas.

Já sou meio caladão e fiquei quieto, pra não ser esculachado como sou em São Paulo, mas foi aí que ouvi os sinos e aquelas palavras saindo, meio constrangidas, da boca do rapaz: “Mas se eu pudesse voltar atrás eu não pensava duas vezes! Tá tudo pior! Que bando de ratos que comandou este processo! Hoje vejo, mas na época era impossível, era bombardeado por todos os lados, todas as notícias não deixavam dúvidas, é impressionante o poder dessa mídia; sinto vergonha de mim!”.

Quis dar um beijo na boca do Adonias, mas, como não me apetece beijar homem na boca, preferi pegar na mão e dar os parabéns. Disse que entendia os motivos de sua ilusão e da desilusão e que acreditava na força de um povo unido e liberto da manipulação, mas que agora a “caca” já estava feita e que pra mim não restava opção a não ser a total insubordinação ao governo golpista e mobilização popular a fim de reaver a soberania e os direitos extirpados.

Adonias sorriu, agradeceu e me deixou no hotel de classe média (ai, que vergonha) em que estou hospedado e de onde escrevo agora.

As férias já estão acabando e não me passa pela cabeça mudar-me pra Paraíba ou pra Cuba. Vou voltar para o estado onde o “santo”, “f.h.” e o “careca”, vizinhos e colegas do “mineirinho”, apesar de roubarem comida de criança e de tantas citações e denúncias com provas, mas sem convicção, reinam impassíveis há 18 anos.

Volto com um trecho de música “Agnus sei” de João Bosco, tilintando em meus pensamentos: O tempo vence toda ilusão!

Volto com esperança na humanidade e na capacidade de raciocínio das pessoas, porque sei que nem eu nem o Adonias somos melhores que ninguém e cedo ou tarde a ficha cai, mas, quanto mais tarde, maior o dano, maior a dor.

Volto para lutar e desobedecer sempre que minha consciência mandar e ela é quem mais manda em mim.

Volto porque creio na evolução, por mais que ela pareça empacada aos olhos de quem busca justiça social.

A vida continua além de 2016 e sei que ela é pródiga em surpresas, inclusive as boas.

*A palavra “NEGO”, escrita em letras garrafais na bandeira do estado da Paraíba vem do verbo negar e representa o protesto do ex-governador paraibano João Pessoa (1878-1930), que não aceitou a candidatura presidencial de Júlio Prestes (1882-1946). Durante seu governo, vigorava a aliança ‘café-com-leite’, ou o revezamento entre São Paulo e Minas Gerais no poder. Quando em 1929 o paulista Washington Luiz (1869-1957) rompeu o acordo e indicou o conterrâneo Prestes para o cargo em vez de um mineiro, Pessoa informou ao presidente em um telegrama que negava apoio, para formar uma aliança com Minas e lançar-se como vice do gaúcho Getúlio Vargas (1883-1954).

No dia 26 de julho de 1930, Pessoa foi morto pelo advogado e jornalista João Dantas, crime que desencadeou a Revolução de 1930 e culminou com a deposição de Luiz. As cores da bandeira fazem alusão ao assassinato: o vermelho representa o sangue do governador e o preto, o luto por sua morte.

Fonte: ‘História da Paraíba’, de Horácio de Almeida, Ed. Universitária da UFPB

A DIETA


By Luis Fernando / in Carta de Crônicas

Por Luís Fernando Praga


Alimentaram Joãozinho Patriota e seus amigos com bosta a vida toda, além de muitas gerações de seus antepassados que, acostumados, comiam tudo sem reclamar…

Um dia alguém chegou com comida para alimentar Joãozinho e seus compatriotas.

Joãozinho estranhou, fez cara feia, mas se acostumou com a comida e comia sem reclamar.

Joãozinho ganhou saúde e pode fazer coisas que não podia fazer enquanto comia só bosta.

Muitas pessoas que antes comiam bosta sentiram-se beneficiadas pela chegada da comida.

Produtores e negociantes de bosta, lobistas e todos os que cresceram e se acomodaram graças à cultura da bosta não acharam nada boa aquela história de alimentar o povo com comida.

Um dia, uma grande rede de TV, ligada historicamente ao enriquecimento com o negócio da bosta, revelou que havia coliformes fecais na comida com que vinham alimentando o Joãozinho Patriota.

Divulgaram o perigo dos coliformes, espalharam o terror entre Joãozinho e seus amigos, que entraram em pânico ao saber das terríveis doenças que os coliformes poderiam causar e suas desastrosas consequências à nação.

Ele e seus amiguinhos ficaram muito bravos, muito indignados e com muito ódio daqueles fornecedores de comida que implantaram a praga no país.

Joãozinho lutou bravamente contra os adoradores de coliformes que não queriam que a distribuição de comida fosse interrompida.

Havia a opção de implementar melhorias no processo de produção e distribuição da comida para que esta viesse com menores índices de coliformes a cada dia, mas não! Para Joãozinho aquilo era inadmissível e tornou-se questão de honra acabar com aquela quadrilha de distribuição de comida!

Com o apoio daquela rede de TV e da grande mídia, que sempre defenderam os interesses bostiários, de mãos dadas com empresários patriotas ligados ao setor da bosta, com juízes xerifões que enriqueciam graças à bosta e com bancada da bosta no congresso, Joãozinho e seus amigos demonstraram sua força e conseguiram, com muito orgulho e graças a deus, pela família, pela moral e pelos bons costumes, dar fim à terrível ameaça dos coliformes e hoje todos nós, até os que preferiam comer comida, já podemos engolir aquela bosta gostosa novamente, sem reclamar…

OBRIGADO, LAVA JATO! OBRIGADO, GLOBO! POBREZA E MISÉRIA VOLTAM A EXPLODIR NIO BRASIL


Escrito por Miguel do Rosário, Postado em Arpeggio,

POBRE BRASIL!



Pobre Brasil.

Hoje o Valor, noticiou – sem destaque, claro, porque essa não é uma notícia que interessa à mídia corporativa, hoje empenhada em consolidar o golpe – uma notícia terrível, da qual reproduzo um trecho:


Com crise, base da pirâmide cresce e volta aos níveis de 2011

As classes D e E ganharam 4,3 milhões de famílias nos últimos dois anos e voltaram a representar 56,5% do total de domicílios do país, nível próximo do registrado em 2011, 57,4%. A proporção chegou a 51,4% em 2014, a menor observada durante o processo de mobilidade social que começou em 2003, quando 70,2% estavam na chamada base da pirâmide.

Reparem bem. As classes D e E representavam 70% da população brasileira em 2003. Caíram para 51% ao final de 2014, após três gestões petistas.

Esse foi, claro, o grande crime do PT.

A partir de 2015, quando o golpe (ou seja, a aliança entre mídia e aparelho jurídico do Estado) assume o poder de fato no país, as coisas começam a ser revertidas rapida e brutalmente.

Mas isso parece não interessar a grande imprensa nem à classe média. Alguns infelizes, mesmo desempregados por causa da Lava Jato, continuam adorando o monstro que devora suas vidas, atribuindo o mal ao PT, à corrupção, ao Lula, ao filho de Lula, ou seja, repetindo obedientemente tudo que a Globo lhes incute, direta ou indiretamente, através de sua campanha de mentiras.

Alguns comentaristas me perguntam, sinceramente perplexos, se era melhor não ter Lava Jato e deixar as empresas e corruptos impunes.

As pessoas parecem ter naturalizado uma bizarria: de que a Lava Jato substituiu todo o aparelho democrático estatal de combate à corrupção. Nessa visão, a Lava Jato deixa de ser uma operação específica, liderada por um juiz e um grupo de procuradores de Curitiba, provincianos, reacionários e irresponsáveis, e se torna uma instituição de Estado independente.

É preciso explicar às pessoas que é possível combater a corrupção sem Lava Jato, sem golpe, sem destruir nenhuma empresa, sem abusar de prisões preventivas, sem delação premiada.

Não vai ser igual a Lava Jato, claro. Não será tão espetacular. Será uma luta contra a corrupção mais discreta, mais eficiente, mais séria.

A Lava Jato não combate a corrupção e sim favorece profundamente a corrupção no país, porque produziu caos político e econômico, e se associou à campanha midiática para deslegitimar a atividade política. Esses são fatores que aumentam a corrupção. Alguém às vezes me fala que empresas e políticos pensarão agora duas vezes antes de corromperem ou serem corrompidos. Que ingenuidade! Por caso, Geddel Vieira Lima, o ministro que tentou pressionar seu colega de ministério, Marcelo Calero, a aprovar a construção de um prédio onde detinha um apartamento, sentiu-se intimidado pela Lava Jato?

Por acaso a corrupção caiu na Itália, após as operações Mãos Limpas? Não. Não caiu. Aumentou. Aconteceu igual ao Brasil. O que é o governo Temer senão a fina flor da corrupção política brasileira?

O governo Dilma tinha corrupção? Sim. Tinha problemas diversos? Tinha. Mas Dilma era exatamente o principal fator de resistência ética do governo. Ao derrubarem-na e promoverem um expurgo de qualquer servidor progressista (até mesmo um garçom do Planalto foi demitido por suspeitas de simpatias progressistas), o que fez Temer senão reunir a nata da escória política nacional? Esse é o resultado, portanto, da Lava Jato: um aumento brutal da corrupção no governo.

E agora, o país, mais uma vez, é paralisado para assistir, embasbacado, a prisão de Eike Batista, num espetáculo notoriamente armado com a Globo. Eike Batista volta ao Brasil pronto para delatar, quem? Se quiser sair rápido da cadeia, Eike provavelmente terá de acusar Lula e PT, claro.

Aliás, todas as declarações de Eike (à Globo, claro, que inclusive botou um repórter para viajar a seu lado) tem sido no sentido de que irá aderir alegremente ao golpe. Francamente, eu não o culpo por isso, porque a violência da Lava Jato e da Globo não tem limites. Teori que o diga. A Lava Jato, se não conseguir o que quer, vai atrás da família da pessoa, destrói sua vida, sua empresa. O que foi a condenação do almirante Otto a mais de 40 anos de prisão senão uma vingança de Moro porque o almirante se recusou a fazer uma delação mentirosa contra o PT e Lula?

Por que Marcelo Odebrecht ficou preso durante tanto tempo enquanto os mais notórios corruptos foram rapidamente soltos? Ora, porque ele tinha se recusado, até o momento, em “colaborar” com os procuradores. O que isso significa? Que ele não aceitara fazer o jogo da Lava Jato.

Então a Lava Jato usou o pai de Marcelo. Emilio Odebrecht foi ameaçado e não resistiu. Como Sergio Moro não conseguiu dobrar Marcelo Odebrecht com uma prisão preventiva medieval, de tempo ilimitado, a Lava Jato apelou para a destruição da Odebrecht no Brasil e no mundo. Procuradores brasileiros viajaram aos EUA para entregar informações sensíveis da companhia para o Departamento de Justiça. Foi aí que Emilio Odebrecht e talvez o próprio Marcelo entenderam do que a Lava Jato era capaz para conseguir algum tipo de delação envolvendo a classe política, ou seja, reforçando toda a narrativa do golpe (mesmo que a delação da Odebrecht não envolva diretamente Lula e Dilma, ela poderá servir para os objetivos do golpe de controlar o governo).

A política brasileira ficou insuportável, porque todos entram – inclusive a esquerda – nas ondas de linchamento. É hora de linchar Eike? Então todos vamos linchar Eike. Globo, Veja, Istoé, redes sociais, blogs, mídia alternativa. Todo mundo competindo quem pinta um retrato mais satânico de Eike Batista.

A direita espalha fotos de Eike ao lado de Lula. A esquerda espalha fotos de Eike ao lado de Aécio.

O Brasil precisa discutir seus graves problemas de infra-estrutura. As cidades precisam de metrôs, de VLTs, de trens. Precisamos discutir como superar a crise econômica e como queremos nos inserir no mercado global. Ao invés disso, a agenda política nacional é inteiramente dominada por uma pauta definida por uma espécie de centro unificado do golpe, que define o único assunto que poderá ser debatido no país durante os próximos dias. Todos os dias, dois ou três assuntos dominam inteiramente a mídia nacional. Ninguém pode falar de outra coisa.

Enquanto a mídia e a Lava Jato cegam os olhos da opinião pública com notícias ameaçadoras sobre a “mega-delação” da Odebrecht, e com detalhes sobre onde ficará preso Eike Batista, o governo anuncia que a Eletrobrás pretende reduzir sua força de trabalho seu corpo de 23 mil para 12 mil funcionários.

A notícia está no Valor, jornal que poucos lêem, e também sem destaque.

É assim o governo que nasce do golpe: no momento em que o maior problema do país volta a ser o desemprego, suas únicas medidas parecem ser anunciar demissões em massa. Para fazer isso, repare bem!, a Eletrobrás terá que desembolsar mais de R$ 2,5 bilhões, por causa dos custos trabalhistas. Ou seja, o governo gastará o pouco dinheiro que tem em caixa para investir em… demissão.

É uma orquestra armada em seus mínimos detalhes. Enquanto o público é distraído com espetáculos de justiça bárbara, saciando seus mais baixos instintos com as agruras de ex-poderosos, o governo continua vendendo, freneticamente, patrimônio público, demitindo em massa, provocando desemprego.

A revolta popular é contida por esses espetáculos. Afinal, os políticos e empresários presos recebem, no lombo, toda a carga de culpa pela crise. Os culpados não são mais a incompetência do ministro da Fazenda e dos técnicos do Banco Central, nem a irresponsabilidade dos operadores da Lava Jato, nem a codícia de alguns especuladores, tampouco a desonestidade brutal da imprensa corporativa. O culpado é Eike Batista, claro! Ou então, Lula!

Ainda sobre a dúvida de alguns leitores, coxinhas ou não, sobre como combater a corrupção sem destruir as empresas, vale lembrar o exemplo alemão. Após a II Guerra, os alemães não destruíram nenhuma de suas grandes empresas, apesar delas terem se envolvido em escabrosos casos de corrupção, além de sua conivência repugnante com o regime nazista que matou milhões. As empresas foram preservadas porque os alemãs entenderam que elas eram um patrimônio nacional, e um ponto de apoio importante para o desenvolvimento tecnológico e industrial do país.

Agora, neste sentido, também devemos culpar a mídia, que desde o início da operação Lava Jato, passou a chamar todas as grandes indústrias de construção civil do país simplesmente de “empresas da Lava Jato”. Elas foram completamente despersonalizadas, numa campanha de destruição de imagem inédita na história do empresariado brasileiro.

Os capitalistas brasileiros precisam entender que democracia e pluralidade midiática são importantes para sua segurança. Golpe de Estado, regime autoritário, monopólio midiático são fatores que atravancam o desenvolvimento, como estamos vendo.

Hoje a presidente do STF, Carmen Lucia, decidiu homologar a delação da Odebrecht. Há um grande suspense no ar em relação a isso. Alguns militantes antigolpe acreditam que essa delação produza uma confusão dentro da Lava Jato, porque ela não corroboraria a tese dos procuradores antipetistas, e sim jogaria a lama para o lado do governo Temer, que poderia inclusive não resistir e cair. A mídia assiste a tudo de camarote, porque ela ganha de qualquer jeito, com Temer ou sem Temer, visto que o poder, de fato, está nas mãos da Procuradoria Geral da República, do STF e da Globo.

Lucia também determinou o sigilo da homologação, o que é muito conveniente para o consórcio golpista, que mais uma vez terá condições de vazar seletivamente o que desejar. O governo Temer, por sua vez, permanece o que é: uma administração inerte, vazia, ocupada apenas em satisfazer o mais rápido possível a cobiça das elites mais egoístas e antinacionais do mundo.

O consórcio entre Globo, PGR e STF exerce o poder de fato no país. A gestão deles, como se vê, é um desastre, porque eles não entendem nada de economia, de emprego, de desenvolvimento, de soberania. Seu único talento é para destruir, prender, acusar. Construir um país requer estabelecer compromissos delicados entre o capital e o trabalho, entender a importância de cuidar da população mais pobre, incentivar a educação, a tecnologia, a pesquisa.

Em Davos, o procurador-geral da república, Rodrigo Janot, portou-se como um chefe de Estado, o que, por si, já demonstra a incrível anarquia política na qual mergulhou o país após o golpe. Em entrevista, Janot disse que a Lava Jato é “pró-mercado”, o que me pareceu a declaração mais esquizofrênica, cínica e bizarra, que eu já ouvi em muito tempo. A Lava Jato foi a operação mais demolidoramente anti-mercado que alguém poderia conceber. Lembro-me que, num determinado momento, eu escrevi um post chamando a Lava Jato – sarcasticamente, é claro – de “comunista”, porque ela surfou, de fato, junto com a mídia, nesse preconceito antiempresário bem típico de um país dominado por burocratas e rentistas, como é o Brasil há séculos. A mídia manipulou muito bem este sentimento.

A esquerda brasileira não tinha instrumentos, nem de longe, para lutar contra a Lava Jato, porque o seu nível de sofisticação foi avançadíssimo. Se você tem todos os instrumentos de violência e espionagem do Estado em suas mãos e nenhum escrúpulo em relação às consequências econômicas e políticas de seus atos, além de um blindagem midiática absoluta, no Brasil e lá fora, você pode fazer o que quiser. A esquerda brasileira, que nunca possuiu um centro de inteligência, nem nunca jamais pensou em construí-lo enquanto esteve no poder, não soube reagir às maquinações jurídicas e midiáticas do golpe.

Lula, solitariamente, através de seus advogados no Brasil e Londres, protagoniza a luta para salvar não apenas a si mesmo e a sua família, mas a própria democracia brasileira. Se isso traz uma grande injustiça, não se pode negar que é resultado da própria inércia de Lula, que não foi apenas presidente por duas vezes, como sempre foi, durante o mandato de sua sucessora, a figura mais importante de seu partido. Lula deveria ter ouvido o que tantos analistas progressistas denunciavam, quase desesperadamente, ao longo de toda a era petista: que a mídia estava desossando completamente o governo, o partido, a esquerda em geral, e que era preciso haver reação política à altura. A coisa explodiu em 2013. Ali ficou patente que a água da alienação política, do fascismo, do ódio à esquerda, depois de anos de fogo midiático, havia finalmente entrado em ebulição. As pesquisas eram claras: a maioria dos manifestantes de 2013 eram favoráveis a Joaquim Barbosa, o justiceiro da Globo daquela época. Mesmo assim, nada foi feito. A inapetência política do governo atiçou a fúria da mídia, animada agora pelo surgimento de movimentos de classe média profundamente agressivos e conservadores. O auge da estupidez política veio após a vitória de outubro de 2014. No dia seguinte à vitória, o governo, num gesto de suicídio político que deverá, por muitas décadas, ser objeto de estudo, depõe todas as suas armas e decide caminhar nu e desarmado pelo campo inimigo. Pior, contrata, para administrar a economia nacional, um oficial do exército adversário, o qual dá início imediatamente a uma política acelerada de destruição da reputação política que o governo havia conseguido reconstruir durante o processo eleitoral.

Ainda é tempo de reagir. Sempre é tempo de reagir.

[Arpeggio – coluna política diária]

CIENTISTAS ENCONTRAM ANCESTRAL MAIS ANTIGO DOS HUMANOS NA CHINA

TECH DESCOBERTAPOR NOTÍCIAS AO MINUTO


O 'Saccorhytus' viveu há 540 milhões de anos




Cientistas do Reino Unido, China e Alemanha afirmaram que encontraram o ancestral mais antigo dos humanos, que viveu há 540 milhões de anos. Os fósseis, descobertos na província chinesa de Shaanxi estão estranhamente bem preservados".

De acordo com o G1, o Saccorhytus é um animal aquático microscópico, que representa a fase mais primitiva da cadeia evolutiva dos humanos.
"Acreditamos que, por se tratar de um deuterostômio primata, ele pode representar a fase primitiva de diversas espécies, inclusive de nós, humanos. Todos os deuterostômios tinham um ancestral comum, e provavelmente seja desse animal que se trata", afirma o pesquisador Simon Conway Morris, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
Os pesquisadores afirmaram que o Saccorhytus tinha ânus. A descoberta poderia sugerir que o consumo de comida e as excreções eram feitos pelo mesmo orifício.
"A olho nu, os fósseis que estudamos possuíam pequenos pontos pretos, mas no microscópio o nível de detalhe se revelou surpreendente", explica.

EIKE BATISTA E FARSANTES DA MIDIA

Altamiro Borges - Publicado no Vermelho

Nao gosto de espetáculos desse tipo com ninguém.


A imprensa brasileira é mesmo muito cínica e cruel. Durante vários anos, ela endeusou o empresário Eike Batista. Jornalões, revistonas e emissoras de tevê e rádio exibiam o ricaço como um exemplo de sucesso, como a expressão mais reluzente do “deus-mercado”. Depois, quando surgiram as primeiras denúncias de suas falcatruas, a mídia passou a criticá-lo – não com a mesma contundência com que escandaliza os “políticos sujos” e as “estatais corruptas”.

Por Altamiro Borges*, em seu blog

Eike, Aecio e Luciano Huck

Eike, Aecio e Luciano Huck

Agora, com sua ordem de prisão decretada, ela simplesmente passou a demoniza-lo, sem fazer qualquer autocrítica da bajulação do passado. As capas das revistas ‘Veja’ e ‘Época’ desta semana, que retratam Eike Batista como um marginal, confirmam todo o cinismo da mídia venal.

A revista do esgoto, editada na marginal, é a mais escrota de todas. Ela já deu várias manchetes e chamadas de capa para o bilionário – sabe-se lá a que preço. Na edição de janeiro de 2012, o empresário aparece com trajes chineses e com o título garrafal: “Eike Xiaoping”. Ele foi comparado à pujança econômica da China, sendo tratado como a cara de um Brasil que “trabalha muito, compete honestamente, orgulha-se de gerar empregos e não se envergonha da riqueza”. O servil Eurípedes Alcântara, diretor de redação da ‘Veja”, escreveu um editorial, a “Carta ao Leitor”, só com louvores ao fenômeno empresarial. O jornalista Lauro Jardim – que militava na revista do esgoto e hoje serve ao jornal O Globo – publicou mais de 300 notas sobre o ricaço.

Com o tempo, a máscara do empresário que “trabalha muito, compete honestamente e não se envergonha da riqueza” – tanto que gostava de ostentar seus carrões de luxos e suas mansões – foi caindo. A mídia privada deixou de tratá-lo como exemplo da eficiência e da pujança do capitalismo tupiniquim. Mas nunca fez autocrítica por ter vendido gato por lebre, enganando tantos otários que gozam com a riqueza dos outros – como ironizou o blogueiro Leonardo Sakamoto. Neste sábado (28), o editorial da Folha, “Ilusões desfeitas”, até ensaiou uma retratação – mas só ensaiou. No final, o jornal indaga se seria preciso prender o ricaço. “A prisão preventiva se dá num clima de euforia judicial que, talvez, repita a euforia empresarial de anos atrás”.

Em tempo: Sobre as relações da Folha com o empresário hoje demonizado, vale citar um trechinho de um artigo publicado em janeiro de 2012 pelo colunista Sérgio Malbergier, que deixou o jornal em 2016. Intitulado “Eike para presidente”, o texto confirma a tal “euforia empresarial” do passado. “Ser rico no Brasil sempre foi uma ofensa sociológica. Eike Batista chegou para acabar com isso. Ele não é só um bilionário desinibido, confiante, assumido. O pai de Thor é também carismático, empreendedor genuíno, obcecado com o cabelo, nosso primeiro Donald Trump, com bestseller nas livrarias e um senso de autopromoção que pode levá-lo, quem sabe, a subir a rampa do Palácio do Planalto”.





*Altamiro Borges é jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

MARISA LETICIA: O QUE PRECISA SER DITO



Muitos já prestaram homenagens à Presidenta Dilma, a dona Ruth ardoso, à bela e recatada mas, devo dizer que Hildegarde Angel neste artigo se colocou de forma simples e intocável ao falar de Dona Marisa Letícia Lula da Silva. Emocionante, sincera, linda e simples como a Marisa Letícia que esperamos continue dando exemplo de esposa, mãe e principalmente companheira (Maristela Farias)


Marisa Letícia: O que precisa ser dito
Marisa Letícia: O que precisa ser dito – Foto: Reprodução
Hildegard Angel, em seu blog, expõe verdades que a mídia, responsável em parte pela perseguição a Dona Marisa Letícia, jamais disse.
Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de “a Cara” por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À “companheira” número 1 da República, muito osso, afagos poucos. Ah, dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E – pior de tudo – os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família? Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve.
Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade. Depois, implicaram com o silêncio dela, a “mudez”, a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão? Ah, mas tudo que “eles” queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar poderoso de doutorados e mestrados. Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia. E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom?
Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade. Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e as brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto. Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar “emergentes” metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo “arrodeado” de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.
Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada. No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita. Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor!
Cobraram de Marisa Letícia um “trabalho social nacional”, um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social. Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo. Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam.
Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos. Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.

sábado, 28 de janeiro de 2017

FOTOGRAFIAS DA DÉCIMA EDIÇÃO DA CONVENÇÃO DE TATUAGEM DE LONDRES

INCRÍVELMENTE DOLORIDO E BELO

EXTRAÍDO DA ZUPI

SÉRIE FOTOGRÁFICA EXPLORA OS LIMITES DO CORPO HUMANO COM IMAGENS ENCORAJADORAS

CORPO SEM LIMITES DE BELEZA E FOTÓGRAFO SEM LIMITE DE AMOR À ARTE. CARAMBA

REVISTA ZUPI

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ARTE E SUSTENTABILIDADE

REVISTA ZUPI

`Leocádia Karachi

VEJA DETALHES DA ESCULTURA DE DAVI DE MICHELANGELO

INCRÍVELMENTE BELA

REVISTA ZUPI



A escultura Davi de Michelangelo é uma das mais famosas do mundo, tendo cerca de 8 milhões de pessoas visitando-a na Galleria dell’Accademia em Florença, mas mesmo assim nem todo mundo já teve oportunidade de vê-la de perto.


Finalizada no ano 1504 por Michelangelo nos seus 29 anos, essa obra-de-arte renascentista tem 5 metros, pesa 5,660 kg e foi esculpida a partir de um gigante e indesejado bloco de mármore Carrara (aquele mármore branco com rajadas cinzas).


Davi de Michelangelo, que foi feita em 2 anos, possui detalhes, que muitas vezes são imperceptíveis, mas esses detalhes deixam a obra ainda mais incrível.


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Essa é uma ideia de como Davi seria na vida real

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Gabriel Parise
Amante da cultura pop em geral, gerador de conteúdo e influenciado desde sempre pela moda e música (pop, claro).